Category Archives: crônicas da vida moderna

As regras gramaticais dos felizes desencontros

PARA! Deixa eu ver se eu entendi. Então que dizer que você está a fim de me ver. Vistos os acontecimento fortuitos do nosso remoto passado, assumo que tenha interesses românticos. Sejamos claros, interesses sexuais. Sim, eu sei que para os homens o sexo vem antes do romance. Para a mulher já não, tudo vem DEPOIS do romance, mas a essas alturas da vida, dar logo na primeira vez não é mais um tabu. Poderia até lidar com isso. Veja bem, PODERIA, futuro do pretérito do indicativo. Tempo verbal das hipóteses, uma possibilidade. No seu caso, uma em 50 milhões. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Veja bem,  eu sou uma mulher feliz, querida, bonita, bem empregada, realizada, conta no banco felizmente positiva, não pago aluguel, não tenho dívidas, poliglota, independente, não sou ciumenta. Sem falsas modestas, eu sou uma mulher de todo respeito. Primeiro insisti para que você crescesse e deixasse os recadinhos do facebook de lado. Quer me ver, me liga e a gente combina. Sem sucesso. No máximo chegamos aos SMS.

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T9

Passamos horas à fio agarrados àquelas proteses eletrônicas cada vez mais refinadas. Nunca tivemos tanto trabalho para nos manter conectados: email, telefonemas, facebook, twitter, whatsapp, sms, e por aí afora. E digitar nos teclados virtuais é um empresa árdua, os dedos ou são grossos demais, ou secos demais, ou gordurosos demais, ou sujos demais, ou molhados demais. E geralmente estamos fazendo milhões de coisas enquanto escrevemos, trocando de roupa, cozinhando, dirigindo, andando. O negócio do whatsapp, por exemplo, é tão viciando que não duvido nada  se alguém disser que o utiliza enquanto está no chuveiro, entre uma ensaboada e outra (essa sou eu num momento quente de DR virtual). Claro, ninguém lê o que está escrevendo assim na correria.  Ainda por cima tem o T9, aquela “fantástica” tecnologia de texto preditivo, fazendo-nos cometer as mais imperdoáveis gafes.

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